segunda-feira, 5 de setembro de 2011

1ª História

A HISTÓRIA

Profecias, desastres e ameaças. O planeta terra sempre passou por maus bocados nas mãos inconseqüentes dos humanos, mas isso nunca impediu o sol de nascer, as árvores de crescer e a água de correr. Ao longo da história, a raça humana enfrentou profecias sobre o fim do mundo, encararam a poluição ambiental e tudo o que era jogado sobre eles de erros passados. A luta humana pela sobrevivência nunca realmente teve um fim, e já não é possível saber quando começou. Presunçosos, a tecnologia ganhava cada vez mais o seu espaço na sociedade humana, com todas suas certezas absolutas e incontestáveis de que o futuro era aquele, onde não se precisa mais do real, quando o virtual é simplesmente muito mais fácil e belo. Mas como todos os períodos retratados na história humana, esse também veria o seu fim.
Tudo começa quando a tecnologia abundante no planeta torna tudo mais fácil. Exceto a tecnologia, o restante era visto como desprezível, simples e minimalista. No começo acreditava-se estar realmente vivendo em uma utopia, onde a tecnologia caminhava junto ao homem, e a sociedade estava em harmonia com o seu governo.
Ainda restavam muitas diferenças à serem resolvidas, e infelizmente essas diferenças gerava um acerto de contas bélico. Isso resultava não somente em um vencedor, mas principalmente em um perdedor. Perdendo a guerra, os países eram obrigados a se reconstruírem e vetados de investirem em armamentos. Aos poucos, os países se erguiam novamente e, proibidos de investirem no poder bélico do país, havia somente outras áreas para serem investidas como comércio, saúde e educação. Foi um processo lento e cansativo, países iam se reconstruindo, criando regras, até mesmo criando tratado de paz. Com a ajuda da tecnologia avançada que caminhava dia após dia, não foi difícil para que se reconstruíssem firmes e fortes.
O processo de desviar o investimento do país para áreas focadas na população foi trabalhoso para alguns, por que quanto mais culta era a população, mais difícil era dominá-la. Mas os avanços ao redor do mundo não permitiam que um país ficasse para trás, a evolução estava chegando. A quantidade de profissionais capacitados aumentava a cada momento, o que exigia mais e mais.
Por volta de 2.100, os cientistas começaram a entrar em crise. Já não existia o que pudesse ser inventado para contribuir com a sociedade.  Nada mais parecia ter espaço para ser criado, até que começaram a concentrar-se na única coisa que, até então, não havia sido suficientemente explorada por não haver necessidade: armas. A corrida armamentista veio barulhenta e violenta, cada nação, cada cientista queria ser o mais forte, o mais potente, e não demorou até que suas criações começassem a ser usadas uns nos outros. Com a tecnologia no pico, não era difícil criar armas das mais diversas formas, com os mais diversos efeitos, desde simples armas, até robôs, tanques e etc.
O período de guerra não foi longo, mas os estragos foram inimagináveis. O homem parecia cada vez mais estar voltando às suas origens. O período negro passou como uma névoa pela face da terra, carregando tudo o que podia consigo. Não demorou até que o ar e a água estivessem completamente intoxicados, obrigando as colônias humanas restantes a viverem em bolhas com filtração de ar e água. As guerras já haviam passado do orgulho, e virado questão de sobrevivência. As pessoas destruíram o que era seu, viviam em pequenas comunidades tentando pegar o que era do outro. A tentativa de adaptação era iminente, mas infelizmente não envolvia esforço próprio. As colônias passaram por períodos de disputa por território e alimentos, e aos poucos a terra não era mais um planeta habitável, e completamente hostil por si só.
E então, o silêncio. Por volta de 2.200, já não havia um ser vivo que pudesse presenciar a situação pós-apocalíptica de seu próprio planeta, e aos poucos as próprias máquinas perdiam seu propósito e paravam de funcionar.
Robôs de diversos tipos, largados por volta do que restou, caminhavam realizando suas antigas funções, mas os mais ultrapassados não demoraram a perecer. Felizmente, os mais avançados contavam com suas inteligências artificiais, para que fosse o suficiente para se adaptar às novas circunstancias, obrigando-os à procurar energia.
Em uma das escavações em busca de energia, destroços interessantes foram encontrados por um grupo de robôs. A imensidão de areia não parecia incomodar os robôs em suas escavações, e apesar de precisarem mesmo da energia, pareciam mais interessados nas diferentes construções despedaçadas e soterradas pela areia. Juntando as peças aos poucos e com cuidado, analisaram a forma majestosa à sua frente. Havia diversas construções com largas colunas, depois de longos anos esquecidos e enterrados aos pedaços. A energia no local parecia fraca e dispersa, mas os robôs precisavam dela.
Entre estudos e escavações aprofundadas, os robôs se deliciavam com um mundo completamente novo, cheio de histórias, mitos e artefatos espalhados por onde quer que procurassem. Pelas relíquias, pinturas e artefatos, descobriram figuras onipotentes e poderosas, sentadas em circulo em uma alta torre. O Monte Olímpio. Concordaram que era isso o que faltava. Teriam que criar um jeito de trazer um desses seres, chamados  Deuses. Estavam certos de que os Deuses nunca viriam para um lugar tão imundo, e principalmente estavam certos de que os Deuses deveriam estar muito bravos pelos humanos terem perdidos seus pertences, artefatos, tesouros e adorações. O único problema era: entre tantos Deuses ali marcados, qual deles seria aquele que traria a vida de volta àquele lugar? Cada robô tinha o seu próprio ponto de vista da situação, e a própria opinião de Deus que deveriam trazer à terra. Contrariados uns com os outros, cada robô tomou seu rumo pelo deserto e destroços, construindo um monumento para trazer a vida de volta, salvando a população robótica por um bom tempo até que precisassem de mais energia.

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